A organização americana Wonder Women Tech, em parceria com a Women Up Games e a Boot Kamp, lançou a campanha #MyGameMyName para conscientizar os jogadores sobre o assédio e bullying sofrido por mulheres nos games.

O nome — traduzido livremente como “Meu Jogo Meu Nome” — explicita o fato de que muitas jogadoras optam por não usar seus nomes reais ou apelidos femininos em jogos online, com medo das consequências de ser uma mulher nos jogos. As mulheres somam 46% do público de jogos no mundo, segundo o Game Consumer Insights, da Newzoo, mas muitas evitam identificar o seu gênero no ambiente virtual.

O vídeo de lançamento da campanha traz diversos youtubers homens usando nomes femininos para jogar online, e o resultado está longe de ser surpreendente: os jogadores atacaram, assediaram, e, num geral, tentaram rebaixar quem estava do outro lado do teclado ou do controle simplesmente por acreditarem que se tratava de uma mulher jogando. Depois de sentirem na pele como é se expor como mulher dentro dos jogos, os influenciadores relataram suas experiências em vídeos, que podem ser vistos no site do projeto.

Agora imagine que você é uma jogadora que teve que aguentar isso por muitas e muitas partidas nos mais variados títulos ao longo de vários anos. E, quando você fala sobre esse problema, é taxada de “exagerada”, ou “sem senso de humor”, ou, ainda, de “mentirosa”.

Boa parte das mulheres que se “aventuram” a jogar online, mesmo que joguem offline desde muito cedo, sofrem algum tipo de assédio, que não se limita ao assédio sexual — também existe o assédio moral. Aquelas que jogam sem um grupo de amigos estão ainda mais sujeitas a enfrentarem situações desagradáveis.

A campanha dá um passo para a frente no quesito de mostrar como é a realidade feminina nos jogos online, e esse processo de conscientização é longo, mas está acontecendo.

Mas o fato mais alarmante dessa campanha toda é justamente que isso não é um problema novo, é algo que vem sendo repetido incessantemente pelas meninas que jogam, e algo que muita pouca gente se importou até agora. Foi necessário colocar homens influentes para viver a situação na pele para que muita gente acredite que sim, isso é real, e que sim, todas estão sujeitas a isso só por serem mulheres. Ninguém devia ser obrigado a usar um nome sem gênero ou deixar de fazer coisas que gosta por medo de assédio e humilhação.

E ninguém devia precisar de validação para ser levado a sério.

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